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30 de jun de 2013

Por que aplicar o Feng Shui nos dias de hoje?

Como complemento ao conteúdo que faz parte do Design de Interiores, matéria deste blog, o Camarina Studio irá trazer algum conhecimento de Feng Shui em próximas postagens. Antes de começarmos, porém, achei útil este trecho do livro de Tien Pin, "Feng Shui - o caminho do meio procedimentos para evitar energias negativa em residências e empresas", publicado pela editora Nobel. Para compreensão do texto trago antes duas definições fundamentais retiradas do mesmo livro: a definição de Tao e da dualidade Ying/Yang.

Tao
Tao é caminho. Forma síntese de todas as formas, trilha reunião de todas as trilhas. O homem e a natureza integram-se no universo por intermédio do Tao. Tao é o método e a negação do método. O Tao orienta a busca do equilíbrio. Esse equilíbrio foi essencial aos trabalhadores e agricultores da Antiga China (homens que interagiam diariamente com os fenômenos da natureza): saber o quê, onde, quando semear; quando colher, como prever chuvas e estiagens, sentir o humor dos rios e das marés. Essas necessidades deram aos homens uma sabedoria fraternal sobre seu meio ambiente: o Tao nasce dessa sabedoria e a explica, simultaneamente.
O especialista ou diletante de Feng Shui traz sempre na mente a compulsão em equilibrar os opostos. O Tao, aplicado em Feng Shui, significa harmonizar elementos construtivos e decorativos, acatar as peculiaridades geográficas e climáticas e atuar sobre elas, aplainando arestas e suavizando asperezas. O Tao no Feng Shui é o humano agindo no natural e sofrendo a sua ação, na dialética de fazer o caminho caminhando. Uma viagem eterna e perfeita.

Ying/Yang (claro/escuro)


Ying/Yang é dualidade indissolúvel. A difusão Ying/Yang produz Tao. Tao é apreensão consciente e orgânica da interpenetração Ying/Yang e sua existência em todas as coisas.
Ying – Escuridão e repouso (frio/sombra)
Yang – Claridade e ação (calor/luz)
A dualidade Ying/Yang, ao contrário da concepção filosófica do Ocidente, não supõe o antagonismo dos contrários mas, sim, a complementaridade e a interdependência. Não há Ying sem Yang, não há Yang sem Ying. A ação/não-ação Ying/Yang é o caminho essencial do viver, em todos os seus aspectos. Não existe calor sem frio, novo sem velho, morte sem vida ou céu sem terra. Ying/Yang é a apreensão inteira do homem na sua integração às forças do universo.

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A vida moderna é simbolizada e regida pela existência das grandes megalópoles, que comandam as ações e a abrangência da industrialização, informatização e massificação. O progresso tecnológico é o "fogo de Prometeu", que escancarou ao ser humano as portas da fartura, do conforto, da variedade e do conhecimento. Pelo menos em tese, qualquer um tem acesso aos benefícios da informática e da máxima qualidade de produto, além de opções quase infinitas de lazer.

Qual o sentido, então, de introduzir teorias fundadas em concepções filosóficas produzidas há quase três milênios, num país do Extremo Oriente [China], por esotéricos maltrapilhos que não tiveram acesso sequer a máquinas a vapor? Como encarar com seriedade as especulações metafísicas de homens que nunca viram uma moeda e nada conheciam acerca dos Estados nacionais, quanto mais os Internacionais e Transnacionais?

A teoria Feng Shui responde a essas indagações muito pertinentes, observando apenas que, à longa relação de benefícios produzidos pelo progresso tecnológico, corresponde outra longa relação de malefícios, na mais perfeita tradução assertiva do movimento Ying/Yang. A sociedade contemporânea engendrou, também, ao mesmo tempo, a alienação, a solidão, o egoísmo, a violência, a competição desenfreada, a especulação imobiliária, a exploração financeira, a estandartização, a poluição ambiental, a dissolução dos relacionamentos profundos na família e na sociedade, a ostentação do fútil e a dissipação completa da sensibilidade interior (o animus), isso tudo levando à ruptura do homem com suas qualidades essenciais e sua vincualação integrada com a natureza.

A cada novo avanço a humanidade rumo à emancipação técnico-científica corresponde, igualmente, um avanço em direção à perda da autoconsciência e da identidade fundamental do Ser. Esse é o princípio maior do Tao. A objetividade gerando instabilidade psíquica; a fartura provocando fome de multidões; a velocidade dos meios de comunicação sendo travada por burocracias paralisantes; a ânsia ao ter desintegrando o sentido do usufruir; pesquisas de alto nível voltadas a métodos mais eficientes de matar e a liberdade aprisionada no cárcere da má consciência. Os antigos metafísicos intuíram o paradoxo ao formular a pendularidade Ying/Yang, localizaram o princípio da miséria na plenitude farta e o germe da destruição no auge da realização. O Ser e o Não-Ser interpenetrando-se mutuamente é a essência do Tao, Por esse motivo, o homem do século XXI, armado de um formidável arsenal de possibilidades científicas para a resolução de problemas práticos, percebe a urgente necessidade em resgatar a sua essência primordial, revendo suas posições diante da natureza. Ao praticar esse gesto, vê-se repentinamente frente a frente com os esotéricos do século VI a.C.

Administradores, arquitetos, engenheiros, urbanistas, sociólogos, enfim, profissionais que têm a função de “pensar” a cidade, desde os canais rotineiros de funcionamento e fluxo, até os componentes sociopolíticos reguladores das relações sociais, esbarram cada vez mais em determinantes políticas que deformam o sentido de sua atuação. São restrições de caráter econômico-financeiro, interesses setoriais na destinação de recursos. Não é por acaso que nenhum dirigente consiga desempenho satisfatório quando no comando e haja tanta alternância nas tendências políticas de governo. Nenhum projeto simplesmente técnico tem hoje a capacidade de enfrentar vitoriosamente o desafio da realidade. Esta ensina de modo duro aos governantes de plantão que não se admite mais a visão fragmentária no enfrentamento das complexidades de um grande centro urbano. O momento exige o resgate do Tao: “Fazer o caminho caminhando”. Essa é a chave e seu portador é Feng Shui.

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